Nicarágua expulsa missões internacionais de Direitos Humanos

Em carta, governo acusou Comissão Interamericana de Direitos Humanos e Mecanismo de Acompanhamento Especial para Nicarágua de ‘falta de imparcialidade e objetividade’ e ‘atitude ingerencista e intervencionista’.

Por France Presse (Foto: Inti Ocon/AFP)

19/12/2018 22h06  Atualizado há 43 minutos

O governo da Nicarágua, liderado por Daniel Ortega, expulsou duas missões da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), após acusá-las de agir de agir de forma “ingerencista” e parcial em sua avaliação da situação do país no contexto dos protestos contra o governo, informou a Chancelaria nesta quarta-feira (19).

“Comunico a suspensão temporária da presença e visita da CIDH e do Mecanismo de Acompanhamento Especial para Nicarágua (Meseni) até que se restabeleçam as condições de respeito à soberania e aos assuntos internos”, assinalou uma carta dirigida ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro.

Também ordenaram a saída do Grupo Interdisciplinar Especial de Investigação (GIEI), criado pela CIDH para avaliar a situação de direitos humanos no país.

A carta, lida pelo chanceler Denis Moncada na presença dos delegados do Meseni e do GIEI, chamados à Chancelaria, acusa as duas entidades de “falta de imparcialidade e objetividade” e de mostrar “uma atitude ingerencista, intervencionista, fazendo eco das políticas do governo dos Estados Unidos contra a Nicarágua”.

O Meseni e o GIEI se instalaram na Nicarágua em 24 de junho e 3 de julho, respectivamente, depois de acordos alcançados com a OEA e documentaram denúncias sobre violações aos direitos humanos.

A expulsão das organizações acontece em um momento no qual o governo de Ortega cancelou a equipe jurídica de organismos locais de direitos humanos e inspecionou as suas sedes e a dos meios de comunicação independentes.



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