Insulina ultrarrápida está em falta na rede pública do DF há meses; secretaria não dá prazo para novo estoque

Pacientes dependem do insumo para manter nível de glicose sob controle. Ministério fornece produto, mas apenas para grupo de diabéticos.

Por G1 DF (Foto: Reprodução / EPTV)

17/02/2019 14h20  Atualizado há 37 minuto

Pacientes com diabetes tipo 2 que dependem da rede pública para obter a insulina ultrarrápida enfrentam, há meses, uma crise de desabastecimento no Distrito Federal. Na Policlínica de Taguatinga, um dos postos de distribuição, o insumo não há aparece desde dezembro.

Moradora de Águas Claras, a dona de casa Elza Maria, de 65 anos, liga no posto há meses em busca da insulina para o marido José Antonio, de 76. Ele precisa de três doses diárias da versão ultrarrápida do produto – antes de cada refeição. Sem ela, a qualidade de vida cai substancialmente.

“Além da diabetes tipo 2, ele faz hemodiálise todos os dias. A situação dele é bem grave”, afirma Elza. A medicação tem custo alto, e a família passou a recorrer às doações de parentes e amigos para não interromper o tratamento.

A aposentadoria paga pelo INSS a José Antônio, segundo Elza, é pouca até para as contas fixas do mês, como o condomínio. “Olha, não é fácil! Tudo é caro, tem que comprar. A aposentadoria não dá.”

“Meu marido se aposentou por causa da doença, e a gente está sempre pedindo coisas para as pessoas”, diz ela.

Aplicação de insulina em paciente — Foto: Reprodução/EPTV
Aplicação de insulina em paciente — Foto: Reprodução/EPTV

O preço da insulina ultrarrápida na rede privada varia de acordo com o laboratório e a dosagem. Segundo Elza, os filhos ajudam como podem, mas também têm as próprias despesas e não conseguem custear todo o tratamento. Ela não trabalha, porque a saúde do marido exige atenção integral.

Sem previsão

Diariamente, Elza Maria liga para a Policlínica de Taguatinga em busca da medicação. De tanto procurar, ela diz que os funcionários já a reconhecem pela voz. Apesar da insistência, a resposta é sempre a mesma.

“Eles sempre falam a mesma coisa: ‘liga amanhã’, ou ‘essa semana deve chegar’, ou ‘o governo não está disponibilizando e não tem previsão de entrega”, desabafou em entrevista ao G1.

Segundo a Secretaria de Saúde do DF, apenas os pacientes com diabetes tipo 1 estão recebendo a insulina ultrarrápida. Isso porque, para esse grupo, o insumo é fornecido pelo Ministério da Saúde e a reposição é regular.

Para os portadores de diabetes tipo 2 – ou os do tipo 1 que foram rejeitados no cadastro do ministério por algum motivo –, a Secretaria de Saúde é responsável pela compra. E neste caso, não há sequer previsão de reabastecimento.

A pasta diz que já fez a aquisição, mas não sabe quando o lote será entregue – a previsão era em dezembro, mas “problemas na documentação da empresa” motivaram o atraso. Enquanto isso, os pacientes têm de se virar por conta própria, sem alternativa na rede pública.

Medidor de insulina — Foto: Reprodução/TV TEM
Medidor de insulina — Foto: Reprodução/TV TEM

Outras insulinas

O governo garante que os outros tipos de insulina – NPH, regular, glargina e detemir – estão disponíveis nas unidades de saúde do DF. Ainda de acordo com o GDF, 2,5 milhões de fitas glicêmicas foram compradas e disponibilizadas em janeiro, suficientes para a demanda de 12 meses.

A Secretaria de Saúde afirma que, hoje, 3,5 mil diabéticos do DF têm cadastro no Ministério da Saúde para receber a insulina comprada com verba federal.

Os pacientes com diabetes tipo 1 precisam atualizar o cadastro junto ao governo, ou podem perder o direito às doses de insulina. Para isso, é preciso ir à Policlínica de Taguatinga ou à Escola de Farmácia do Hospital Universitário de Brasília (HUB), na Asa Norte.

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