Polícia Civil do DF prende médico investigado por deformar rosto de pacientes

Prisão temporária é de 30 dias. A mãe de Wesley Murakami e a dona da clínica onde o médico atendia em Brasília também foram detidas.

Por G1 DF (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

21/12/2018 09h38  Atualizado há 4 minutos

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu na manhã desta sexta-feira (21) o médico Wesley Murakami, acusado de deformar o rosto de 15 pacientes. A prisão é temporária, com duração de 30 dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo período.

Além do médico, foram presos a mãe dele, a dona da clínica onde Murakami atendia em Brasília e o administrador da clínica de Goiânia (GO), onde também eram feitos os procedimentos. Foram cumpridos ainda cinco mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e na capital de Goiás.

Ele e a mãe foram presos em Goiânia, mas estão sendo trazidos para o Distrito Federal. A dona da clínica foi presa em Brasília.

Esta semana, o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) suspendeu o registro de Murakami. De acordo com o sistema do CRM-DF, o registro profissional dele consta como alvo de “interdição cautelar” desde 14 de dezembro. Isso significa que Wesley Murakami não pode exercer a profissão em todo o território nacional por tempo indeterminado, até o julgamento de processo ético.

No sistema do CRM-DF o registro profissional do médico consta como alvo de "interdição cautelar"  — Foto: CRM-DF/Reprodução
No sistema do CRM-DF o registro profissional do médico consta como alvo de "interdição cautelar" — Foto: CRM-DF/Reprodução

Na quarta-feira (19), a defesa do médico informou ao G1 que Wesley Murakami não fazia mais atendimentos desde que surgiram as primeiras denúncias. E que vai entrar com recurso junto aos Conselhos de Medicina de Goiás e do DF para que ele possa restabelecer a atividade.

Investigação

De acordo com as investigações, as vítimas de Murakami relatam que foram convencidas por ele a fazer a bioplastia – um tratamento estético onde uma substância chamada PMMA é usada para preenchimento cutâneo –, com a promessa de um resultado perfeito.

O polimetilmetacrilato (PMMA) era injetado sob a pele por meio de uma seringa, com o objetivo de mudar a forma do rosto ou do corpo. Os pacientes denunciaram que ficaram com o rosto deformado.

Uma das vítimas é uma professora de Brasília, que preferiu não se identificar. Ela declarou ter procurado o médico em 2014 para reduzir marcas de espinha, mas saiu do consultório convencida a fazer a bioplastia. Pagou R$ 5 mil.

“Eu fiquei deformada, fiquei com vergonha de ir para a escola”

Empresário Alexandre Garzon, atendido pelo médico Wesley Murakami  — Foto: Reprodução/TV Globo
Empresário Alexandre Garzon, atendido pelo médico Wesley Murakami — Foto: Reprodução/TV Globo

O empresário Alexandre Garzon foi outro paciente que procurou o médico na clínica onde trabalhava, em Taguatinga, no DF, para tratar as marcas das espinhas. Ele disse que também foi convencido de que a bioplastia traria o resultado esperado.

Mas, ao final do procedimento, ficou com o rosto deformado. “Quando eu vi o resultado, que eu olhei no espelho, o meu rosto estava gigantesco”, afirmou.

“Ele me deu até uma máscara para poder ir embora, e meu rosto ficava de fora da máscara, de tão grande.”

O procedimento foi em 2012 e custou R$ 7 mil, segundo Alexandre. Inconformado com o resultado, o empresário entrou na Justiça contra o médico.

Em 2014, Murakami foi condenado a pagaruma indenização por danos morais, no entanto, até agora, Alexandre diz que não recebeu o dinheiro.


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