Médico investigado por deformar rosto de pacientes no DF é impedido de exercer profissão

Nome de Wesley Murakami consta no sistema do CRM-DF como alvo de ‘interdição cautelar’. Pelo menos 10 denúncias são investigadas pela Polícia Civil.

Por G1 DF (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

19/12/2018 10h20  Atualizado

O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) suspendeu o registro médico de Wesley Murakami, apontado como responsável por deformar o rosto de pelo menos dez pacientes de Brasília, e que já foi condenado a indenizar uma mulher que denunciou o mesmo problema. A Polícia Civil informou estar investigando as dez denuncias recebidas até o momento.

O registro profissional do médico consta, de acordo com o sistema do CRM-DF, como alvo de “interdição cautelar” desde 14 de dezembro. Isso significa que Wesley Murakami não pode exercer a profissão em todo o território nacional por tempo indeterminado, até o julgamento de processo ético.

No sistema disponibilizado pelo CRM-DF o registro profissional do médico consta como alvo de "interdição cautelar"  — Foto: CRM-DF/Reprodução
No sistema disponibilizado pelo CRM-DF o registro profissional do médico consta como alvo de "interdição cautelar" — Foto: CRM-DF/Reprodução

De acordo com as investigações, as vítimas relatam que foram convencidas por ele a fazer a bioplastia, com a promessa de um resultado perfeito. Durante o procedimento, uma substância conhecida como polimetilmetacrilato (PMMA) é injetada sob a pele por meio de uma seringa, com o objetivo de mudar a forma do rosto ou do corpo.

As vítimas que já entraram em contato com a Polícia Civil estão sendo ouvidas e encaminhadas ao Instituto Médico Legal (IML). O G1 tenta contato com a defesa do médico.

Denúncias

Uma das vítimas é uma professora que preferiu não se identificar.Ela declarou ter procurado o médico em 2014 para reduzir marcas de espinha, mas saiu do consultório convencida a fazer a bioplastia. Pagou R$ 5 mil.

“Eu fiquei deformada, fiquei com vergonha de ir para a escola. Colocava cabelo na frente. As pessoas me olhavam estranho e cada vez que eu tinha que me comunicar, porque eu tinha que lecionar, o meu rosto inchava mais, e aquilo me incomodava horrores.”

Em 2012, o empresário Alexandre Garzon procurou o médico na clínica dele, em Taguatinga, para tratar as marcas das espinhas. Também foi convencido de que a bioplastia traria o resultado esperado. A substância usada, o polimetilmetacrilato, também deixou o rosto dele deformado.

Empresário Alexandre Garzon, atendido pelo médico Wesley Murakami  — Foto: Reprodução/TV Globo
Empresário Alexandre Garzon, atendido pelo médico Wesley Murakami — Foto: Reprodução/TV Globo

“Quando eu vi o resultado, que eu olhei no espelho, o meu rosto estava gigantesco. Dá para ver nas fotos ai. Ele me deu até uma máscara para poder ir embora, e meu rosto ficava de fora da máscara, de tão grande.”

Ele pagou R$ 7 mil pela cirurgia, mas entrou na Justiça, que condenou o médico em 2014 a pagar indenização por danos morais. Até agora, no entanto, Alexandre não recebeu os valores.


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