Para proteger testemunhas, Justiça mantém prisão de PM acusado de matar ex-namorada no DF

Por Gabriel Luiz, G1 DF (Foto: Arquivo pessoal)

 

Acusado de matar a ex-namorada no Distrito Federal, o policial militar Ronan Menezes do Rego vai continuar preso por tempo indeterminado. Para a Justiça, mesmo detido desde maio deste ano, o soldado ainda apresenta risco à ordem pública e a familiares e testemunhas do processo que apura a morte de Jéssyka Laynara, de 25 anos.

Pouco depois do crime, que ocorreu na casa da jovem, em frente à avó e ao primo, Ronan foi até a academia frequentada pela ex e atirou no professor Pedro Henrique Torres, de 29 anos. Ele sobreviveu. Pedro e Jéssyka tinham acabado de começar um relacionamento.

Para o juiz Lucas da Costa, do Tribunal do Júri de Ceilândia, o réu é perigoso e não agiu conforme se esperava de um policial. O magistrado citou ainda depoimentos que relatam ameaças dele contra parentes e amigos de Jéssyka. Também lembrou que uma testemunha ouvida em sigilo declarou ter “muito medo” do militar.

“As testemunhas sigilosas são uníssonas no sentido de que o acusado era agressivo e nutria sentimento de posse em relação à vítima e que, inclusive, ele já havia a ameaçado de morte em outras oportunidade”, considerou o juiz. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (21).

“Assim, para garantir a integridade física e psíquica de testemunhas, vítima sobrevivente e familiares, é necessária a constrição cautelar do acusado, também por conveniência da instrução processual [para preservar o andamento do processo].”

Ao G1, a advogada do militar, Kelly Moreira, informou que ainda não foi notificada oficialmente da decisão do juiz.

Ronan Menezes do Rego, acusado de matar a ex — Foto: Reprodução
Ronan Menezes do Rego, acusado de matar a ex — Foto: Reprodução

Júri

A decisão do juiz é chamada de sentença de pronúncia. Nas fases de um processo, este é um dos primeiros passos antes de convocar o júri para definir a pena que o policial terá de cumprir. Para isso, o juiz precisa determinar quais crimes são imputados ao acusado.

Ficou definido que Ronan será julgado por feminicídio e ameaça contra Jéssyka Laynara e tentativa de homicídio contra Pedro Henrique Torres.

Policial militar Ronan Menezes Rego e a ex-namorada Jéssyka Laynara — Foto: TV Globo/Reprodução
Policial militar Ronan Menezes Rego e a ex-namorada Jéssyka Laynara — Foto: TV Globo/Reprodução

Por falta de provas contundentes, foi rejeitada a acusação de ameaça contra a mãe da jovem assassinada – o que poderia aumentar a pena final dele em até seis meses.

O dia do julgamento do policial ainda não foi definido. Ele está preso na carceragem de um batalhão policial próximo ao Complexo da Papuda e foi exonerado da corporação.

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